COMUNIDADE DO MOINHO DESENVOLVE PROJETO PARA ESTIMULAR O TURISMO

Comunidade do Moinho, educadores do IPEARTES/SEDUCE e equipe do SEBRAE GOIÁS realizam roda de prosa para alinhar estratégias para o desenvolvimento do turismo no Moinho.

Por Erasmo Alcântara

Como parte das atividades do curso Vamos Falar sobre Turismo, ministrado pela educadora do IPEARTES/SEDUCE Luciana Amado na comunidade do Moinho, foi realizada, dia 19 de outubro, uma roda de prosa envolvendo moradores do Moinho, educadores do IPEARTES/SEDUCE, além da presença de Décio Coutinho, analista do Sebrae Goiás, especializado em projetos de economia criativa. O encontro foi dedicado aos alunos do curso, mas contou com ampla participação da comunidade. 

O curso, que vem sendo ministrado desde 18 de setembro, contribui para articular a comunidade em torno de saberes e experiências que podem contribuir para o desenvolvimento do circuito turístico no Moinho, identificando gargalos e valorizando o potencial turístico da região.

Durante o encontro, Décio apresentou um pouco do trabalho do SEBRAE nas áreas do turismo, artesanato e gastronomia. São diversas as experiências já desenvolvidas em diferentes regiões do Estado nos últimos anos, e esses relatos contribuíram para uma melhor compreensão da comunidade em relação aos potenciais já existentes e desafios que deverão ser enfrentados para que, nos próximos anos, o Moinho se beneficie ainda mais do fluxo de turistas que frequentam a Chapada dos Veadeiros todos os anos.

Alguns dos participantes do curso estiveram também no Encontro Estadual de Artesãos de Goiás, realizado entre 20 e 23 de setembro, no distrito de Olhos d´Água, município de Alexânia – GO. Ricardo da Cruz de Moura, que participa do curso Vamos Falar sobre Turismo, esteve naquele encontro, e trouxe um relato da programação e das experiências que mais chamaram sua atenção: “Aprendi muito no Encontro de Olhos d´Água. Trabalho com produção de tapetes, bolsas, produtos de madeira, essa é minha alegria. Além do encontro de setembro, os que participaram dessa roda de prosa hoje no Moinho puderam ter uma maior clareza do que é o turismo, o que querem para o local, o que querem para si mesmos”. Décio Coutinho destacou durante a roda de prosa as características e desafios da comunidade de Olhos d´Água, suas similaridades com a comunidade do Moinho, trazendo exemplos e práticas lá adotados. “O Moinho tem um trabalho diferenciado e que, por não estar sistematizado, não é tão conhecido”, ressaltou.

O Moinho, que abriga mais de 100 famílias, se destaca por suas sementes crioulas, artesanato, gastronomia, educação ambiental, além da exuberância da natureza, mas enfrenta desafios para escoar sua produção. Além da necessidade de se investir na manutenção da estrada que conecta a comunidade a Alto Paraíso, o que ficou claro no debate foi a necessidade de se criar uma feira na comunidade, para dar visibilidade e aumentar a comercialização dos produtos locais. Muitos dos produtores levam seus produtos para as feiras de Alto Paraíso, mas com frequência se deparam com problemas de transporte. Além disso, os turistas que visitam a comunidade deixam de consumir os produtos locais, muitas vezes por falta de conhecimento da sua disponibilidade.

Ricardo da Cruz de Moura, durante a roda de prosa sobre turismo na comunidade do Moinho. Foto: Erasmo Alcântara

Ricardo destacou também a principal conclusão dos presentes nessa roda de prosa, que aponta o tipo de turismo que o Moinho quer desenvolver, a partir de uma abertura gradual da comunidade, evitando modelos invasivos e predatórios:Queremos um projeto de ecoturismo que não acabe com a tranquilidade e o jeito de viver da comunidade. Que venha a crescer economicamente, mas que não traga algo que nós venhamos a nos arrepender depois. Queremos manter essa mesma paz, esse mesmo ambiente tranquilo, um ambiente em que as pessoas saibam receber bem os visitantes em sua casa, e possam continuar fazendo aquilo que elas gostam e querem, sem perder a identidade da comunidade, que é o que nós temos de melhor”. Segundo Lucas, vice-presidente da Associação de Moradores do Moinho, o processo deve ser lento, e evoluir organicamente. 

Nessa mesma linha, a educadora do IPEARTES Virgínia Silva também destacou o potencial da comunidade para o turismo, sua hospitalidade e conhecimento da técnica do artesanato. Ela vem trabalhando o desenvolvimento da identidade da comunidade. Nayana Morais, que atua no IPEARTES e nasceu no Moinho, ressaltou também a importância de se criar um espaço-memória, para resgatar a história da comunidade.

Para entender o tipo de turismo que a comunidade quer, Décio Coutinho propôs a realização, ainda este ano, de uma ação concreta, que sirva de experiência e referência para que a comunidade faça uma avaliação. Por meio das atividades do curso ministrado por Luciana Amado, essa reflexão será amadurecida, e uma proposta será sistematizada. Uma das idéias levantadas passa pela consolidação do chamado Dia do Moinho, que foi realizado espontaneamente em 13 de março deste ano, organizado pela Associação de Moradores. Como resultado do curso de turismo e da consultoria do Sebrae, esse evento pode ser melhor planejado e estruturado, de modo a entrar no calendário cultural da Chapada dos Veadeiros. 

A consolidação do turismo ecológico, e a construção da imagem da Comunidade do Moinho como um espaço de cura, em função da presença de muitos raizeiros e raizeiras, com profundos saberes ancestrais, passa também por uma boa estratégia de comunicação. Uma das propostas levantadas é a possibilidade de jovens da comunidade participarem de atividades de formação com o IPE MIDIALAB, núcleo de comunicação do IPEARTES. Dessa forma, poderão contribuir para o resgate da história e memória da comunidade, gerando conteúdos relevantes para o acervo do espaço-memória que os moradores reivindicam.

Encerrando a roda de prosa, Luz Marina de Alcantara, coordenadora do IPEARTES/SEDUCE, ressaltou a importância da comunidade do Moinho para a concepção do Instituto: “O Moinho foi o primeiro local de escuta visitado na região, durante o processo de elaboração do projeto do próprio IPEARTES, ainda em 2016″ 

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