O INSTITUTO

IPEARTES

INSTITUTO DE PESQUISA, ENSINO E EXTENSÃO EM ARTE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS

O IPEARTES/SEDUC tem como objetivo promover uma educação transformadora, fundamentada na arte-educação e tecnologias sustentáveis, buscando alcançar a formação do ser humano em sua plenitude. Para isso, busca ser referência em educação integral, de maneira a potencializar o desenvolvimento das pessoas, considerando as dimensões cognitiva, física, afetiva e seus processos socioculturais. 

O IPEARTES desenvolve ações educativas em toda a região da APA de Pouso Alto, que inclui as cidades de São João d’Aliança, Colinas do Sul, Cavalcante, Teresina de Goiás e Nova Roma e Alto Paraíso. O Instituto atua no Educandário Humberto de Campos, escola-piloto do projeto, localizada na Cidade da Fraternidade, e também no Centro de Vivências Crescer, Escola Zeca de Faria, Associação Paulo de Tarso, Escola de Educação Infantil Francisquinho, CRAS, Centro de Convivência da Criança e do Adolescente, na Educação de Jovens e Adultos do Colégio Estadual Gerson de Faria, com extensões nas comunidades do Moinho e Sertão, além de atuar na ASJOR – Associação de Moradores da Vila de São Jorge, entre outros espaços educativos da região.

ALTO PARAÍSO DE GOIÁS  /  CHAPADA DOS VEADEIROS 

Trata-se de uma área com quase 3% do território do Estado, integrando seis municípios, dezenas de vilas e centenas de comunidades, desde São João D´Aliança, grande portal da Chapada, conectando-a diretamente com o Distrito Federal, até Colinas do Sul, mais ao oeste e conectada ao grande lago Serra da Mesa, e dali a toda a região noroeste e central do Estado. A estrada entre Colinas e Alto Paraíso, uma das mais belas do país, dá acesso também à encantadora Vila de São Jorge, porta de entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, cuja comunidade, entre tantas riquezas, também realiza o grande Encontro de Raizeiros, Parteiras, Benzedeiras e Pajés, o grande Encontro de Culturas Tradicionais e a Aldeia Multiétnica. Entre São Jorge e Alto Paraíso também estão o incrível Vale da Lua, o imenso Jardim de Maytrea, aos pés do Morro da Baleia, e a inesquecível Catarata dos Couros. E do outro lado de Alto Paraíso sai a estrada cheia de onças, que leva para as comunidades quilombolas do Moinho e do Sertão. Por toda a região, algumas das cachoeiras mais fotografadas do país, e no dizer daqueles que vivem ali há mais tempo, por todos os lados, incontáveis cachoeiras ainda não descobertas. Mais ao norte está Cavalcante, e sua comunidade Kalunga, que na vivência da tradição, sente que já está ali, habitando o Vão das Almas e o Vão do Moleque “há mil anos”, dizem os mais velhos. Teresina e Nova Roma, mais ao leste, com todo um mundo de riquezas naturais ainda pouco conhecidas, e toda a riqueza de sua tradição cultural. É também aqui que está o Morro do Pouso Alto, o ponto mais alto do Planalto Central, com seus quase 1700 metros de altitude, reconhecido como o melhor ponto de observação celeste do Brasil. Não há como explicar essa região, o berço das águas, assentada em uma gigantesca placa de cristal de quartzo, o que torna tudo ainda mais intenso, na análise dos próprios moradores, vindos de diversas regiões do mundo.

O IPEARTES nasce nesse cerrado maravilhoso, com uma natureza e uma comunidade cheias de diversidade. Apesar disso, essa região tão maravilhosa e tão rica sempre foi uma das mais carentes. Aqui está uma população plena de sabedoria, com muitos saberes tradicionais, saberes da natureza, saberes da terra, coisas que o mundo contemporâneo necessita e pede. Mas a região é historicamente conhecida como o “corredor da miséria” no Estado. Os índices de desenvolvimento econômico e social estão abaixo da média nacional, e a região abriga uma das cidades com o maior índice de analfabetismo do país, alcançando 26% da população de Cavalcante.

OBJETIVOS

A proposta do IPEARTES  é investir no florescimento de uma comunidade educadora no território do bem viver, ao promover uma plataforma básica, alicerçada em princípios e articulada a valores, permeada pela ideia de intertransdisciplinariedade, e desenvolvida por meio da pedagogia de projetos. Essa proposta é fruto de uma longa reflexão que vem sendo realizada desde 2005, quando a Secretaria de Educação do Estado cria o Centro de Estudo e Pesquisa Ciranda da Arte, que passa a sistematizar a política pública e a proposta pedagógica para a Arte-Educação na rede estadual.

Para experimentar a proposta, foi escolhido como escola-piloto o Educandário Humberto de Campos (EHC), localizado na Cidade da Fraternidade. Trata-se de uma escola situada na zona rural, atendendo a três grandes assentamentos de trabalhadores rurais, incluindo o Assentamento Silvio Rodrigues, maior do país. Acompanhadas por alguns dos mais importantes profissionais da pedagogia contemporânea, as equipes do IPEARTES e EHC buscam compreender os novos desafios encontrados, na construção dessa comunidade educadora.

Compreendendo a centralidade da educação no desenvolvimento de uma sociedade sustentável, o IPEARTES atua em diversas frentes, articulado a parceiros que desenvolvem as mais variadas ações, progressivamente se colocando como dinamizador das potencialidades já existentes no território, ora contribuindo, ora conduzindo ações fundamentais para a construção dessa integração.

O Instituto nasce com o objetivo de apoiar o desenvolvimento emocional, cognitivo e social de crianças, jovens, adultos e idosos da região, conduzido por práticas a partir da arte-educação. Ele surge do encontro entre Governo do Estado, moradores locais e da mobilização da sociedade civil (ONG’s) preocupados com o destino da população da região diante de várias situações de violência, furtos, problemas ambientais e educacionais.

Os princípios e áreas de atuação foram baseados em pesquisa realizada em 2016 nas escolas do município de Alto Paraíso de Goiás, para mapear o interesse e necessidade de jovens. O objetivo era entender os desafios e sonhos de jovens matriculados na rede de ensino, considerando dados que apontam um alto índice de violência e drogadição numa região tão pequena.

A pesquisa evidenciou como os jovens se vêem desmotivados, sem perspectiva de oportunidades de empregos ou mesmo de profissionalização, de como não possuem ocasiões saudáveis de encontro e troca entre os próprios jovens. Os salários baixos em contraponto com o custo de vida alto de uma região cada vez mais turística, inviabilizam a mobilidade desses jovens para as cidades centrais com mais recursos educacionais. Ou seja, eles percebem-se num local sem recursos culturais e educacionais e também sem alternativas para procurar em outras cidades. Dentre os principais interesses dos jovens foram identificados: as artes nas suas diversas modalidades (visuais, mídias, música, dança, teatro.) e a busca por trabalho. Nesse contexto, o IPEARTES é estruturado a oferecer entretenimento e cursos que permitam experienciar e proporcionar  novas possibilidades para o futuro. Promovendo assim educação para o Bem Viver, educação transformadora e inovadora.

Os princípios do Instituto foram pensados na perspectiva de promover o Bem Viver e fundamentar o olhar, abordagem e as metodologias de atuação. A Educação Socioemocional foi incluída como conteúdo essencial para colaborar com aprendizagens significativas, para cuidar do desenvolvimento das competências emocionais e interpessoais.

Nesse sentido, o IPEARTES propõe ultrapassar os muros da escola e dialogar com a cidade, com a comunidade, na perspectiva de que todos somos co-criadores da educação. Na perspectiva de que a educação transforma e essa transformação acontece nas relações e nas trocas cotidianas entre as pessoas e as comunidades. Esse diálogo com a comunidade propõe uma educação autônoma e emancipadora tanto para os estudantes quanto para a própria comunidade. Nessa lógica, os encontros pedagógicos acontecem não apenas na sede do Instituto, mas também nos espaços físicos das escolas formais e demais espaços pedagógicos parceiros, além de locais alternativos na cidade, conforme proposta pedagógica de cada frente de ação ou curso.

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